Marketing pessoal: desmistificando

É bem comum ouvir pessoas dizendo que estão “fazendo marketing” delas mesmas. Essa expressão é interessante, visto que existe uma intenção, ainda que distorcida ou não definitiva, do que é marketing. Apesar disso, a política e até mesmo muitos profissionais midiáticos da nossa área fizeram o favor de tornar o termo “marketing” pejorativo. Obrigado por isso, “queridos”!

Pois bem, como não existe uma definição exata de marketing, talvez isto seja um ponto que prejudique a compreensão do que fazemos e do que é marketing pessoal. Mãe (é que ela não sabe também), marketing é um monte de coisa, mas vou tentar falar de um jeito fácil: quando a gente vai arrumar nossa casa, a preocupação é de cuidar de todos os cômodos, pra que a casa toda esteja limpa. Cada cômodo é um local onde as pessoas podem ir. Alguns ficam só na sala, alguns vão na cozinha e outros vão no banheiro. Alguns mais íntimos podem ir em nossos quartos. Mas tudo isso é a nossa casa, representada em alguma das partes dela.

Então, pense que cada cômodo é um local de interação de quem é o dono da casa com o visitante. Trazendo isso para o marketing, é como se cada parte fosse um ambiente onde as pessoas interagem com a empresa: pelo site, pelo Facebook, na própria loja, numa comunicação da marca através de panfletos ou aquelas imagens grandes que ficam atrás dos ônibus (outbus, busdoor). Cada contato desse é responsabilidade do marketing. Se lá em casa, a sala estiver arrumada, mas a cozinha estiver uma bagunça, é possível que se tenha uma má impressão da gente. Da mesma forma, se um atendimento é mal feito na loja, quando uma pessoa vê a marca na internet, já tem uma imagem negativa dela.

Ou seja, o marketing deve gerenciar e interagir em cada ponto desse, o que eu chamo de ponto de contato. Quando aplicamos isso para as pessoas, significa dizer que marketing pessoal é a gestão da imagem de uma pessoa (como se ela fosse uma marca) para outras pessoas. É a forma como uma pessoa quer ser enxergada por um público em cada ponto de contato com ele. Em certo sentido, todos fazem marketing pessoal, desde que se importem minimamente sobre como são enxergadas. Faça uma análise honesta: você se preocupa com o que as pessoas pensam sobre você? Pense isso desde um sentido mais simples (como a maneira que se veste, as marcas que escolhe para usar, a forma de interagir com as pessoas, o cuidado no que fala e pensa, o que você posta/compartilha nas mídias sociais, o que quer aparentar ser) até mais amplo, como “vender” suas ideias, projetos, serviços, currículo, etc..

Às vezes, as pessoas exageram nisso. Ficam simplesmente possuídas por um espírito de venda pessoal, que na verdade, prejudica muito mais que ajuda. Ou melhor, parece que há um tipo de competição no mercado, de quem sabe se vender melhor. É engraçado. Quem se vende mais, participa de mais eventos, faz mais lives, ganha mais likes, é o melhor. Quase um nicho de mercado, deles para eles mesmos. Isso aconteceu no ambiente online, com os chamados infoprodutos. A galera se acostumou mal a ganhar dinheiro fazendo cadastros de e-mails e criando vídeos ensinando os outros a se fazer a mesma coisa. Não parece com o tão questionado marketing multinível?

Enfim, eu usei uma palavra que ajuda a concluir este último parágrafo: nicho. Um grupo que tem maior afinidade com marcas e pessoas. Como não é possível agradar todo mundo, sempre tem aqueles com quem temos uma melhor relação. Da mesma forma, marketing pessoal diz respeito a potencializar aquilo que somos, de modo a conectarmos com várias pessoas que criam afinidade conosco. Não é algo forçado, não é algo comprado, não é algo mentiroso ou maquiado. É apenas passar para as pessoas a imagem do que somos: confiáveis, bons no que fazemos, relevantes, com conteúdo. Se não somos assim, a verdade sempre virá à tona e vão descobrir quem você é de verdade. Seja uma pessoa que inspira coisas boas para os outros, no âmbito pessoal e profissional. As pessoas confiarão as escolhas delas a você.

Doug

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