Diálogos de marketing no contexto atual – Parte 01

Em um bate-papo com meu amigo Douglas Carias sobre este momento de pandemia, trocamos muitas figurinhas e percepções legais que nos trouxeram alguns apontamentos. Decidimos tornar tudo isso em um diálogo dividido em três partes, pra compartilhar por aqui. Venham com a gente na primeira parte dessa conversa.

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Léo:
– Parceiro, em tudo na vida a gente tem que pegar aprendizados, né? Nessa quarentena, aprendi três coisas:
(1) trabalhar mais;
(2) estudar mais;
(3) contribuir com o reinvento da minha profissão.

Doug:
– Putz, que massa! Imagino que tu estejas numa correria absurda, né?

Léo:
– Bicho, tô trabalhando quase que três vezes mais, além de conciliar com minha esposa, minha filha, lavar pratos, brincar com Pingo, lavar banheiro, reuniões, lives… E estudar à distância, que não é meu forte, também tá sendo um aprendizado importante.

Doug:
– Também tô nesse mesmo ritmo. Parece que em casa a gente tem um “quê” de precisar focar mais. Já fiz alguns cursos e tô desenvolvendo algumas habilidades que serão essenciais pros momentos que vêm pela frente.

Léo:
– E então, falando em habilidades, meu terceiro aprendizado tem sido de pensar na nossa profissão. Marqueteiros que somos, vamos ter que nos reinventar, né? Após o Coronavírus, aquele mundo que existiu até o Carnaval 2020, será que VAI VOLTAR? O comportamento de consumo VAI MUDAR? O medo de gastar dinheiro VAI AUMENTAR? A inteligência em investir dinheiro VAI AMPLIAR? O jeito de olhar para a vida VAI REVOLUCIONAR? O processo de entender o que, de fato, se deve comprar ou não VAI MATURAR?

Doug:
– São coisas a se pensar, parceiro. Uma coisa é certa: ainda não dá pra afirmar muita coisa sobre o futuro, primeiro por motivos óbvios de que não somos videntes (kkk) … Mas além disso, é que estamos SOBREVIVENDO, reagindo a uma novidade que não tem um mês em nossas vidas. Não acho que tenha havido revolução digital ou uma mudança brusca sobre como se faz negócios e tudo o mais. Na verdade, o que houve foi uma adaptação temporária focada e contextualizada por um olhar sobre o ambiente digital (afinal, se temos que ficar em casa, o que nos resta são as conexões, as telas, a internet). Se tudo tivesse mudado mesmo, então coitados dos salões de beleza, das oficinas mecânicas e de tantos outras categorias que literalmente fecharam nesse período.

Léo:
– Vendo por esse ponto de vista, acaba que a nossa profissão PRECISA se redescobrir, se encontrar em meio ao que estamos vivendo agora e ao que virá. Muitas empresas podem quebrar, não somente por causa da paralisação da quarentena, e sim, muito mais pelo que ela está ensinando ao mundo neste período e que muitos empresários não querem ou não estão conseguindo ver. Muitas empresas podem quebrar porque o comportamento de consumo aparentemente começou a mudar ou mudará, dependendo de quanto tempo vá durar essa crise. É bem cedo pra afirmar, mas não e cedo para começar a se pensar nisso. E na boa, se o marketing for obrigado a mudar, QUE BOM!! Porque tava um negócio assustador, tava ficando feio. Milhares de marcas estavam jogando no lixo os reais conceitos do marketing. E vejo uma baita oportunidade de voltarmos às suas origens, voltar a enxergar um pouco mais as necessidades do consumidor.

Doug:
– Concordo MUITO, e digo mais: pra facilitar a nossa visão profissional, vamos substituir a palavra necessidades por PRIORIDADES. As marcas precisam exercitar a empatia pra entender o que é prioritário para as pessoas, isso numa perspectiva de sobrevivência, subsistência e consumo. Talvez até mesmo para reconhecerem que o consumidor NÃO precisa do seu produto naquele momento, o que garante uma nova possibilidade de se relacionar com as pessoas: se meu consumidor não precisa de mim agora, o que eu posso fazer para ajudá-lo nas coisas que são prioridade pra ele nesse momento? Mano, pra mim, o caminho pras marcas serem estratégicas e relevantes nesse cenário, e até em médio prazo, está por aqui, porque isso pode garantir, ao mesmo tempo, sustentabilidade pras empresas e afinidade da marca com as pessoas.

Léo:
– Acho que faz sentido, porque o cenário é o seguinte:
# Quem perdeu emprego não terá dinheiro.
# Quem teve redução salarial e se a crise demorar 3 meses para passar, esse cidadão entrará numa bola de neve, entrará na fábula do lençol curto, ou seja, também não terá dinheiro para comprar na sua empresa, a não ser que, o que a sua empresa venda, seja o necessário ou como você diz, “o prioritário para ele”. Mesmo assim, você e sua empresa, correm o risco de o cliente não pagar.
# Quem não sofreu nenhum abalo financeiro, vai ter medo de gastar, porque outra crise pode voltar.
Amigo, acho que as pessoas que sobreviverem, financeiramente falando, a esta quarentena são as que tiveram a capacidade e, claro, a condição de guardar dinheiro. Então, esse cara, também vai gastar de forma diferente pós-coronavírus.

Doug:
Aí eu provoco, como sempre gosto de fazer: como é que nossa área e profissão ficam de fato?

Continua no próximo post…

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