Manifesto da educação inovadora

por Fred Silveira

Muito tem se debatido sobre o papel da Educação no desenvolvimento do país. Desenvolvimento? Onde? País? Esse Brasil da carne fraca, do leite adulterado, o país dos escândalos? Isso, esse mesmo. Desculpe o transtorno, mas precisamos, mais do que nunca, falar sobre educação.

Nos dias de hoje, o que conhecemos como educação superior brasileira vive uma crise de identidade. Um setor que, inicialmente, se apoiou em políticas públicas para crescer, viu esse apoio diminuir e se virar contra ele; agora, é preciso olhar em um espelho profundo para entender o seu papel no cenário político/econômico/social do país.

Não é mais permitido enxergar os desafios da educação superior de dentro para fora; questões como evasão, inadimplência e captação de alunos, causados por uma série de aspectos e causadores de outros tantos, na verdade são efeitos de algo maior, e não uma mera consequência de um momento político e econômico desfavoráveis. Apesar de não se saber ainda com exatidão o que está por trás desse movimento de recessão da educação superior, existem algumas pistas interessantes ao analisarmos alguns aspectos.

Podemos começar com a inovação. Sempre que se fala isso, lá vem peer instruction, modelos de aprendizagem, salas de aula invertidas e por aí vai; tudo válido e importante, mas será que isso é suficiente? A forma, tanto de ensino quanto de aprendizagem, são aspectos fundamentais para a aferição de sucesso daquele modelo aplicado; mas o conteúdo está sendo levado em consideração?

Não me refiro à qualidade acadêmica, mas a uma questão simples e ao mesmo tempo de difícil adequação: o que o aluno leva da sala de aula, seja ela qual for, é o que ele precisa para a sua vida? Vejam, nem estou me referindo a mercado, mas sim às necessidades específicas de cada indivíduo, nas mais diversas áreas de sua existência. Por exemplo: educação financeira é um aspecto levado em consideração nas mais diversas disciplinas? O aluno sai da aula sabendo vender e sustentar o seu projeto de negócios, de sonhos, de vida? Ele sabe trabalhar a sua marca pessoal para se manter em evidência no mercado, qualquer que seja? Ele entende aspectos jurídicos básicos que podem lhe auxiliar, desde a compra de um imóvel até a abertura de uma empresa, passando por patentear seus projetos?

Ainda nessa linha, mas em outro ângulo de visão: os ambientes de aprendizagem, mais do que se preocupar com o formato, se preocupam com a adequação do estudante (de acordo com o seu perfil) ao conteúdo que está sendo proposto? Ele é um protagonista do processo ou um mero espectador? Alguém se preocupa sobre o que ele está levando para sua vida e de que forma aquele conteúdo vai ajuda-lo em suas necessidades?

E aguçando o foco sob o ponto de vista das necessidades do estudante: estamos pensando na questão do financiamento estudantil como uma ferramenta de qualificação real do estudante, ou o nosso foco está em entender quanto ele pode pagar por cursos que não vão de fato trazer uma transformação em sua vida? Faz sentido ele pagar durante 21 anos e meio de sua vida por um curso que tão somente lhe deu um diploma? Os organismos que trabalham com o financiamento estudantil estão de fato preocupados com os impactos das assinaturas de contratos por parte dos alunos e seus garantidores, ou a ideia é simplesmente auferir lucros sobre uma área nobre e vital como a educação?

Por outro lado, temos reconhecidamente uma série de instituições de ensino que estão preocupadas com o seu papel no desenvolvimento do país (por mais piegas que pareça, não há como desvincular a educação do desenvolvimento de uma nação, ainda que esta seja o nosso Brasil, que tanto nos tem desgostado nos últimos tempos; não desistamos dele, por favor!); porém, estão ao mesmo tempo assoberbadas com tantas cobranças e tão pouca ajuda por parte de quem poderia – e deveria – no mínimo não atrapalhar (mas isso é papo para outro texto).

Existem sim diversas IES que não só se preocupam, como promovem na prática as mudanças de que precisamos para fazer da educação superior um movimento de inovação, de inclusão e de relevância. E aí que me parece entrar o marketing nessa história toda: uma ciência que estuda a forma de satisfazer as necessidades de pessoas e de mercados me parece a mais adequada para construir as pontes necessárias para a consolidação de uma educação que transforme vidas, mercados e cenários. Não por acaso, algumas das melhores instituições que tive a oportunidade de conhecer têm o marketing como ator protagonista em sua gestão.

E é nessa linha que entendo estar um grande ponto de inflexão: a conexão entre as necessidades das pessoas e do mercado com a proposta pedagógica que só o ensino superior pode nos trazer. Movimentos que entendam que não será mais possível manter as mesmas estruturas, os mesmos cursos, os mesmos formatos, sob pena de jamais trazer a educação como realidade transformadora da sociedade brasileira. Não há aqui qualquer oposição ao belíssimo trabalho de profissionalização e busca pela excelência das IES brasileiras, especialmente as privadas; apenas uma reflexão sobre o poder e a proporção que esse trabalho pode atingir caso busque as conexões necessárias com as pessoas, ao fim e ao cabo as grandes protagonistas e principais interessadas nos efeitos que essa educação inovadora possa lhes trazer.

Não é possível concluir esse pequeno ensaio sem fazer referência a um movimento que está se propondo a trazer essa transformação para a educação brasileira. O Club do MKT School já nasceu com uma premissa diferente, inovadora e inclusiva; a ideia de conectar conteúdos, sob um pano de fundo de aprendizagem que mescla o digital e o presencial, o mercado e as pessoas, o aprendizado e sua aplicação, faz dele um movimento de vanguarda, que promete modificar a forma de pensar em educação não só no Nordeste, mas no Brasil.

Totalmente ancorado nos princípios da Universidade Inovadora, apoiado em um tripé que conversa com a inovação, a inclusão e a relevância de conteúdos, o Club do MKT School é a prova de que é possível sim fazer educação voltada a transformar vidas; não só a partir dos cursos oferecidos, mas de todo o modelo de conexão que está por trás de sua proposta. E o mais bacana: está tudo lá, ao alcance de todos, pretendendo fazer dos participantes desse processo os protagonistas na construção de um Brasil melhor.

Que mais sementes como essa germinem, dentro e fora das universidades, para que possamos de fato entrar em um novo momento da educação brasileira; que ela seja, além de todos os seus papéis, realmente capaz de transformar a realidade do nosso país.

Fred

 

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