Quando chega a hora de parar

por Daniel Lima

Um dos principais defeitos (ou virtudes, como queira entender) da Geração Y é a sua inquietude. Questionar, bater de frente, desafiar e, acima de tudo, romper barreiras. A determinação em ter algo construído por você em prol de um organismo melhor em meio à sociedade, nos tornam verdadeiros super-heróis do mundo corporativo: para o alto e além!

Como disse, isso pode ser o seu maior defeito, pois com essa destemidez, vem a soberba. Acreditamos tanto que somos capazes de tudo e somos sempre os certos, que muitas vezes não sabemos ouvir alguns “nãos”. O pior é quando isso se conflita com situações verdadeiramente insustentáveis. Um exemplo: sua ideia hoje não foi aceita, mas seu concorrente criou uma ideia similar e você foi responsável por não ter pensado igual a ele. A grama do vizinho sempre é mais verde. E nessa hora, o que fazer? Bater de frente novamente? Ou fazer de conta que você realmente está errado? Esta é a pergunta de um milhão de dólares.

Ué, vai aceitar um erro que não lhe pertence? Cadê seu sangue revolucionário de Geração Y? Às vezes é melhor ceder, dar um passo para trás e aprender com os erros… dos outros. O mais importante é sabermos a hora de parar, de dizer adeus e pedir obrigado por tudo, mas deixando sempre aquela janelinha aberta.

Lembre-se: o empregador de hoje pode ser o seu cliente de amanhã. O mundo corporativo também dá voltas. Boas relações valem mais do que certificados de autoria. Ouvir um “não” não vai lhe fazer mais fraco ou menos profissional. Ao contrário.

Mas voltando ao título dessa dissertação que você está lendo, estes devem ser os mesmos questionamentos que alguns de nós passamos quando pensamos em parar, em mudar de emprego, em aceitar novos desafios ou até mesmo mudar de direção. Aceitar estar onde você não se sente mais bem, onde você não produz mais ou partir pra novos desafios, mesmo que isso lhe taxe de imediatista e sem foco?

Cabe a você pesar as consequências e as possibilidades. Ter medo do novo não é bom, mas é bom ser consciente dos próximos passos. Às vezes, a instabilidade de hoje pode ser a incerteza de amanhã.

Fazendo um paralelo com o que a Janiene Santos fala em “Desclassificar para Enxergar”, assim como empresas estão repensando as formas de segmentação de mercado, porque não podemos repensar a nossa forma de pensar no novo como oportunidade de se reinventar?

Primeiro que vamos acabar com esse papo de Geração X, Y e Z? Afinal, posso ter 18 anos e ter uma cabeça de Geração X. Ou ter 35 anos e ser um típico Millenials ou Geração Y como preferir chamar. Isso é relativo, é subjetivo, o meio em que vivemos é quem vai definir nossas características mais internas. Para que esses rótulos? Por que seguir pré-conceitos? De fato esses rótulos são necessários para algumas análises mercadológicas, entendimento de comportamento de consumo, dentre outras vertentes. Mas daí, aplicar a exatamente tudo na vida pode ser uma faca de dois gumes.

Criar uma identidade única, com base em outros indivíduos é tão mainstream que essa pluralidade profissional tende a ser uma alternativa diante de tantas mudanças de carreira. Um exemplo prático comigo: quando me formei em 2011, pretendia me especializar em comportamento de consumo. Três anos depois, mudei para terceiro setor e hoje já volto a pensar na minha primeira opção, enquanto curso minha segunda graduação. E mais: porque não analisar o consumo, inclusive de projetos no terceiro setor? O que leva um ser humano a investir em projetos filantrópicos? O que isso corrobora no seu orçamento mensal e no seu desejo por consumo? O quão sustentável se torna esse tipo de consumo de projetos?

Viu como somos mutáveis e como podemos integrar vontades, desejos e objetivos?

Então quando chegar a hora de parar, pare. Quando chegar a hora de mudar, mude. Não tenha medo. As possibilidades são infinitas, mas é melhor seguir em frente do que pensar que poderia ter dado certo caso você tivesse ido. O novo não traz medo. O medo existe, mas ele pode ser transformado em oportunidade, em aprendizado.

Parar também é bom. Se reinventar é necessário. Abraçar o novo é benéfico. Go ahead!

Daniel

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